Organização criminosa envolvida em fraude em concurso é alvo de operação com 11 mandados de prisão

Por Professor Isaquel Silva
Uma quadrilha envolvida em fraude no concurso público do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) é alvo de uma operação deflagrada nesta quarta (25) pela Polícia Civil pernambucana.
Na Operação Kyma, são cumpridos 11 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão. Essa é uma palavra de origem grega que significa onda, em português.
Ainda segundo a polícia, a investigação foi iniciada em dezembro de 2025.
Também foi expedida pela Justiça uma ordem judicial de bloqueio de ativos financeiros.
Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 15ª Vara Criminal da Capital.
Na execução estão sendo empregados 130 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães.
As investigações foram assessoradas pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco.
Houve apoio do Comando de Operações e Recursos Especiais (Core), Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS-PE), da Gerência de Inteligência e Segurança Orgânica da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização.
Participam também Instituto de Criminalística, Polícia Federal e Polícia Civil do Rio Grande do Norte.
A Operação Kyma foi deflagrada no Recife, Paulista, Jaboatão, Itaquitinga, Vitória de Santo Antão, Petrolina, COTEL, Extremoz RN e Araçoiaba.
Entrevista coletiva
No final da manhã desta quarta-feira, a PCPE realizou uma coletiva de imprensa e os delegados envolvidos nas investigações da operação deram detalhes do funcionamento da quadrilha.
O esquema contava com participação de agentes de segurança pública, tanto dentro da estrutura da organização criminosa quanto na condição de clientes dela.
Conforme a Polícia Civil, os criminosos atuavam em duas frentes:
1.Captação e vazamento da prova: um integrante conseguia acesso antecipado ao conteúdo, registrava por imagens e repassava ao líder da organização.
2.Resolução e distribuição dos gabaritos: o material era enviado a pessoas responsáveis por resolver as questões — os chamados “professores”. Depois, o gabarito era repassado aos clientes.
Os candidatos utilizavam diferentes métodos para tirar proveito das informações privilegiadas, como:
Uso de ponto eletrônico intra-auricular, conectado a celulares;
Dispositivo eletrônico em formato de cartão, que recebia sinal e transmitia via bluetooth e
Anotações em papel escondidas nas roupas.
Integrantes da organização também iam até locais de prova orientar os candidatos sobre como esconder os materiais e identificar o tipo de prova.
Segundo a Polícia, a quadrilha utilizava equipamentos modificados para evitar detecção por detectores de metal, inclusive com alteração de componentes internos de celulares para reduzir a carga metálica.
Há indícios de que equipamentos chegaram a ser importados do exterior, possivelmente da Europa.
Fonte: Diario de Pernambuco
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